quinta-feira, 21 de julho de 2011

Norte da Índia


Comecei a viagem pegando um trem (240rps, sleeper class, 24hs) de Jaipur a Haridwar. Foi a primeira vez que peguei um trem aqui. Sleeper class é bem simples e suficientemente boa para uma noite no trem. É como um beliche, 3 de cada lado e as janelas ficam abertas para ativar o "Ar-Condicionado Natural". Uma boa idéia é levar um lençol para cobrir o "colchão", ele não é lavado com muita frequência. Dormi durante 6hs e o resto do tempo foi lendo o Lonely Planet, tirando fotos, observando a  paisagem mudar de semi-deserto para uma floresta verde e úmida e trocando uma idéia com a Merie.



Sleeper






Merie




Rishikesh

Haridwar é apenas uma conexão, o objetivo é chegar em Rishikesh, um dos centros espirituais da Índia. Ao chegarmos fomos comer num restaurante com A/C e comida barada. Paneer Butter Masala (um molho com vários temperos e um tipo de queijo de minas dentro que vc come com Rotti, que é o pão Indiano) e Vegetable Fried Rice. Logo após o almoço pegamos o ônibus para Rishikesh (22rps, 18km, 2hs). Como o ônibus era do governo, por causa da Merie, conseguimos entrar rápido e pegar um lugar pra sentar. Logo depois era um ônibus com 36 assentos e umas 60 pessoas dentro. A distância era curta mais o trânsito para sair de Haridwar era horrível. Logo que conseguimos sair da cidade a paisagem era interessante seguindo o Rio Ganges acima.

Descemos do ônibus com o cobrador dando aquele esporro de sempre: "Last stop! Last Stop! Shallo! Shallo!" (Shallo significa, nesse caso, vai ou desce logo). Por ingenuidade pegamos um Auto-Ricksha (vulgo tuc-tuc) de 8 lugares em apenas duas essoas, então pagamos 100rps para ir até Lakshman Jhula, área onde se concentram a maior parte dos turistas, hotéis e templos. Era por volta de 6 da tarde quando conseguimos achar um quarto (300rps com banheiro privado, 5min da ponte a pé). Estavamos 19hs na luta pra chegar então a primeira coisa foi tomar um banho (não tinha água quente e a temperatura estava mais fria que Jaipur) e tentar deixar a sensação de limpo.


Como estavamos extremamente cansados fomos dar uma olhada na cidade, jantamos num restaurante ao lado da ponte (porém não recomendo) e voltamos para o quarto para descansar. Rishikesh é conhecida como um dos principais destinos para quem quer explorar seu lado espiritual, tem vários Ashrams e foi lá que Os Beatles foram no final dos anos 60 e escreveram a amaior parte do The White Album.
No dia seguinte saímos para explorar o lugar, atravessamos a ponte e visitamos o templo Shri Trayanbakshwar, compramos alguns artesanatos e paramos para beber uns shakes numa rede chama Honey Hut. Voltamos para o hotel, tomamos um banho e ajeitamos as malas para voltar para Haridwar. 

Após uma longa caminhada para achar um Auto-Ricksha conseguimos um, do mesmo tamanho do primeiro, mas dessa vez com 15 pessoas, pagamos 40rps pra 2. Chegamos na estação de onibus e novamente conseguimos lugar pra sentar no onibus do governo  Rishikesh - Haridwar. Voltamos para Haridwar ao lado do Rio Ganges novamente, e cruzando alguns afluentes que secam nessa estação. Chegando em Haridwar não conseguimos achar ônibus privado pra Shimla e as linhas de trem não vão até lá. A única opção era ônibus do governo. Resolvemos enfrentar a viagem de 14hs, segundo o Lonely Planet, dentro do pior ônibus que já entrei aqui na Índia. Aqueles velhos, com banco não-reclináveis que não eram lavados faz semanas provavelmente e a passagem deve ser cobrada dentro do próprio ônibus, ou seja, 35 assentos  e 50 passageiros. Como não tivemos tempo de comer comprei 2 pacotes de Lays (que aqui é como se fosse a Rufles) e uma garrafa de água enquanto a Merie segurava nossos lugares.
  





Chegando em Rishikesh




Ganges



Tirando fotos com os fãs

Ponte

Fica esperto que eles podem roubar sua camera





Honey Hut

Bus Rishikesh - Haridwar








Shri Trayanbakshwar

Shimla

Apenas 2 passageiros em pé quando saímos da estação (280rps, 14hs e cerca de 500km). Entre Haridwar e Ambala tivemos a primeira parada. Em menos de 3s tinham 30 pessoas dando socos no ônibus pedindo para abrirem a porta, nesse momento, após 5 meses aqui, me pego num pensamento ainda brasileiro: "O ônibus tá cheio, eles não vão querer entrar!". Novamente fui ingenuo. O cobrador tentou não abrir as portas (eram duas) mas as portas não resistiram a multidão e entraram pelo menos 15 pessoas. Onde tinha espaço tinha gente. A viagem já não estava muito confortável. Tenho apenas 1,78m, mas em relação a média aqui sou alto e os bancos de ônibus são pequenos, não tinha onde encostar a cabeça. A partir daí foi começando a ficar melhor, as pessoas que estavam dormindo em pé começaram a cair sobre nossos assentos, alguns sentaram no chão e usaram minha perna como travesseiro. Até Chandigarh, cerca de 7hs de viagem, foi assim que minha mais estranha experiência dentro de um ônibus se passou. Porém quero deixar bem claro que não estou reclamando, a experiência e o sentimento de estar viajando como as pessoas (mais humildes) daqui me fez sentir parte desse lugar. Afinal eu não cruzei 2 oceanos para ver a Índia de dentro de um ônibus A/C, tirando fotos pelas janelas e perdendo a oportunidade de viver tudo isso.

Enfim o ônibus ficou com menos passageiros que assentos para o último trecho, Chandigarh-Shimla, um alívio. A partir daí começamos a subir, de 300m fomos a 2000m de altitude, beirando uma montanha de uma lado e um penhasco de outro. Até então eu achava que eu dirigia bem. Mas o motora era "do bão"! Confesso que segurei bem no banco da frente, não consegui dormir e parar de olhar fixamente para a estrada segurando a Santa que a Vó Neca me deu antes de vir pra cá, em janeiro.

Após uma viagem, que durou 10hs (e não 14), e nunca vou esquecer finalmente chegamos a Shimla. Clima úmido e frio, frio pra Índia nessa época, precisei colocar uma jaqueta sobre a camiseta mas continuei com o shorts. Não achei nenhum Auto-Ricksha na estação (estranho!), abordei um taxista e pedi para ir até o hotel; "not possible". Único jeito era apé. Shimla é toda em uma montanha, então após 10hs de uma jornada fascinante tínhamos que caminhar morro acima com nossas malas (não muitas) e a 2000m (o que dificultava a respiração). Após várias paradas e perguntas finalmente conseguimos um hotel com uma vista legal da cidade. Tomamos café da manhã e apagamos até metade da tarde.

A cidade é linda, tem muitas vistas interessantes e estava me sentindo desperdiçando tempo. Como Merie não estava se sentindo bem ela ficou descansando. Sai pra conhecer o lugar. Marquei um tour para o dia seguinte e comprei as passagens para Manali. Caminhei pela "The Mall Road", onde encontrei várias lojas de marca (Reebok, Nike, Adidas, Levi's) e até Subway e Domino's. Encontrei uma igreja católica, uma praça onde tava rolando música ao vivo e um cinema. Voltei para tirar a Merie de dentro do Hotel e comer num Restaurante chamado Café Sol (altamente recomendado, meio caro mas vale a pena). Ainda assim ela não estava se sentindo bem então voltamos ao hotel para descansar. Pela primeira vez na Índia era preciso cobertor para dormir.

Segundo dia em Shimla, fomos com o tour (250rps, 11am - 6pm) conhecer alguns pontos turísticos. Chegamos no Tourist Office e o agente me explicou o caminho para a estação onde vamos pegar o ônibus. Descemos uma ladeira de uns 500m cheia de lojas, tipo um camelô, conhecido como Mercado de Roupas de Tibet. A passagem era estreita e alguns vendedores, nada comparado a Jaipur, insistentes. Quando enfim chegamos a estação não conseguimos achar o ônibus e depois de um bom tempo conseguimos um senhor amigável que fala inglês suficientemente bem para explicar-nos onde pegar o bus. Ele parou na rua mesmo, parando todo o transito. Entre buzinas e reclamações entramos no bus e começamos o tour. As ruas de Shimla lembram a Serra do Rio do Rastro, cheia de curvas e desfiladeiros. A paisagem é muito bonita e nos primeiros minutos não consegui parar de tirar fotos. Como o trajeto é todo curvo e o trânsito na Índia um caos, após 1h dentro do bus estava cansado de ser jogado de um lado para o outro. A primeira parada foi em Fagu, o jardim das maçãs (The Apple Bossom). Novamente a vista era fantástica e vários pés de maçã, aparentemente. Tentamos achar um suco de maçã natural mas não conseguimos, pelo que entendi estava fora de estação.

Próxima parada em Kufri, almoço no Café Lalit onde eles são extremamente generosos em relação a quantidade de comida nos partos, apenas 1 é suficiente pra duas pessoas. Comemos o quanto conseguimos e saímos para olhar a floresta e as lojas. O clima começou a esfriar e uma neblina se aproximou com uma leve chuva.

Entramos no ônibus e fomos em direção ao próximo destino: Naldehra. Lá tem uma floresta daquelas de clima temperado, o que, segundo eles sugerem, é um ótimo lugar para fazer um piquenique. Também tem um dos campos de Golf mais antigos do país, porém não estava autorizado a dar umas tacadas. Sentamos na floresta por um tempo, sempre cuidando para os macacos não roubarem nossas coisas, e descansamos por quase meia-hora. Após isso voltamos para Shimla. O tour não foi tão bom quanto esperávamos.

Chegando em Shimla pagamos 7rps por um elevador que liga a Car Road - The Mall Road e chegamos na frente do Café Sol novamente. Conforme a oportunidade se apresentou entramos para jantar e tirar umas fotos do pôr do sol. Pizza e Bacon Chicken Burger para a matar a saudade, de leve, de comida ocidental. Após a janta acabamos caminhando pela Mall Road, olhamos umas lojas e compramos umas besteiras pra comer mais além. Chegando no hotel acabamos dormindo cedo pois estavamos cansados e tínhamos que acordar cedo no dia seguinte. O ônibus Shimla-Manali era as 8:30am e demora cerca de 9hs (480rps). Saímos do hotel uma hora antes porque não sabíamos direito onde pegar o ônibus. Após perguntar para vários nativos conseguimos chegar no "Victory Tunel" e ficamos esperando por volta de 30min observando a paisagem com o sol da manhã.
  



Café Sol

Café Sol

Hotel

Estação de ônibus

Estação de ônibus

Estação de ônibus

Tour

Tour







Apple Garden




Eis o motivo pelo qual as fotos não são boas...








Naldhera





Café Sol


























Igreja Católica



The Mall Road


















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